Houve uma evolução, mas ainda é muito. E a sua frase é machista.
É. Tenho plena consciência disso, mas era por amor.
O que escreveu não ofendeu a sua mulher?
Não, porque ela sabe o porquê das coisas. Tenho a certeza que, na altura, eu gostava muito mais dela do que ela de mim.
Fica-lhe muito bem dizer isso enquanto cantor romântico.
Ai, meu Deus! (Risos)
Mas durante muito tempo pôs a carreira à frente do seu casamento.
Ela sabia desde o primeiro dia que eu era completamente obcecado por esse sonho e que, se me fizesse escolher, ficava a perder.
Agora é sua manager.
Quando viemos para Portugal, há oito anos, ela queria trabalhar e entreguei-lhe a minha agenda. Nessa altura, a dimensão das coisas não tinha nada a ver com o que é hoje. Agora, é ela que tem a doença da obsessão pelo trabalho.
Já se confrontou com a crise?
Há cinco anos reduzi o número de concertos: de uma média de 150 a 200 por ano passei para 40 a 50. Portugal é pequeno e não quero cantar hoje aqui e daqui a 15 dias a três quilómetros, porque prejudica o espectáculo. Portanto, não senti uma baixa de trabalho. Mas se ainda estivesse a marcar todos os sítios que me quisessem levar, com certeza que estaria a sentir a crise.
Agendam-se mais tarde os espectáculos, apenas com alguns dias de antecedência?
Sim. No próximo ano será bem pior, este ainda é um ano de eleições.
Costuma cantar em comícios?
Raramente.
Já cantou para algum partido em especial?
Canto para todos. Quando me contratam, não vou pela cor política. Faço o meu concerto, e o resto não tem nada a ver comigo. Já me pediram para dar a cara por este ou por aquele partido e só o fiz uma única vez porque acredito na pessoa.
Quem era?
O presidente da Câmara da minha terra. E ganhou.
De que partido é a Câmara?
Não faço ideia.
Este ano, Portugal tem três eleições. Costuma votar?
Às vezes.
E votou alguma vez em França, dado que viveu lá a maior parte da sua vida como adulto?
Não.
Tem a dupla nacionalidade?
Nunca quis. Nem a minha mulher nem os meus filhos têm. Nisso, sou um bocado arcaico. Com certeza também foi por ter vivido fora de Portugal, o que traz ao de cima sentimentos como a saudade, o lado português... Tenho um orgulho enorme em ser português Sei que fica bem dizer isto, mas não é por aí...
Fala com os filhos em francês.
É o hábito.
Os seus filhos estudam no Liceu Francês, em Lisboa.
Foi para não terem um grande choque quando vieram para cá. Senti na pele quando fui para França como é penoso entrar num liceu e não perceber a língua.