Bem aqui vos deixo mais uma parte da entrevista do Tony para quem nao encontrou a revista nas bancas.
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Qual foi o momento que teve consciência da sua popularidade?
Nunca. Acreditam que se daqui a uns meses fizer novamente um Pavilhão Atlântico não tenho a certeza de o encher? Chama-se a isto insegurança.
Acaba por funcionar como o 'sonho americano' ara os portugueses. Sente que é um exemplo?
É um facto que o meu percurso de vida foi esse, e foi muito complicado chegar aqui. Um puto que sai da Pampilhosa da Serra, vai para a França, para uma fábrica, casa muito cedo, tem filhos, grava vários discos, mas nenhum deles funciona...e já voaram 20 anos de vida. Houve um momento que disse: "Não consigo, não tenho dinheiro, vou desistir e trabalha na fábrica até à reforma". E um dia o telefone toca e o Francisco Carvalho, da Espacial, diz-me que gostava de falar comigo, que achava que eu tinha potencial, e aí começa a minha aventura de 15 anos nessa editora.
Como se define, enquanto músico?
Sou um cantor romântico e popular - gosto da palavra 'popular', porque considero-me (e gosto de me considerar) uma pessoa do povo - com alguma parte de 'rockalheira' à mistura. Mas, infelizmente, nem sempre fui conotado como cantor romântico.
Antes de ser um cantor romântico era o quê?
Talvez muito mais popular. Há uns anos, o Carlos Ribeiro (apresentador de televisão) disse numa entrevista que houve uma fornada de artistas pimba da qual saltou um que era eu. Isto passou-me mais ou menos em 1995, quando começaram a aparecer os "Big Shows"...e eu estava ali naquele género musical que na altura estava muito na onda.
Na onda da música popular ou da música pimba?
O que é música pimba? Não sei.
É a música pirosa.
Pirosa..
Quim Barreiros, por exemplo, é o quê? Para mim, é brejeiro. Quando se fala em música pimba, penso que as pessoas querem dizer música má. Para mim, por exemplo, Julio Iglesias é um cantor romântico, por excelência...
Como define "romântico por excelência"?>
A voz, a orquestração, a escolha do reportório, tudo. Quando se ouve uma canção do Luis Miguel, do Iglesias ou do Roberto Carlos, ninguém pode dizer que aquilo é mau. Pode-se dizer "não gosto", mas dizer que é mau?!...
Foi um dos grandes nomes deste tipo de música, Emanuel, que deu o mote para esta definição, com o refrão Nós pimba!"
Foi, foi...Reparem, o meu percurso na música ligeira foi muito mais difícil do que se cantasse rock, pop, jazz ou blues...
Seria capaz de fazê-lo?
Não sei. Mas seria mais fácil, porque, à partida, um cantor de música ligeira é logo denegrido.
Depende do público.
Estou a falar do meio, da crítica...Se um músico de rock vender platina é herói, eu vendo seis e é normal! Se o Iglesias cantasse em Portugal chamavam-lhe pimba, como me chamam a mim.
Isso ofende-o?
Já me ofendeu, agora não. Mas não é justo, e a injustiça é uma coisa terrível. Os críticos podem não gostar, mas têm de ter olhos e ouvidos para perceber o trabalho que foi feito, e isso é sempre de louvar.
Quais são as suas qualidades enquanto cantor de música ligeira?
A sensibilidade.
Que se traduz em...
Na escolha das canções certas, da melhor melodia ara a minha voz e que me leva a cantar da forma que canto...Pode haver cantores que tecnicamente são muito bons mas não passam emoção nenhuma e outros que não êm grande técnica, mas passam muita emoção.
Onde se inspira para fazer aquelas letras a puxar ao sentimento? Não leva a mal, mas é um pinga-amor.
É o que gosto. Não gosto de letras abstractas. Tenho de ouvir uma canção - e não me considero nem de forma alguma nabo nem burro - e percebê-la logo à primeira. Uma canção tem de ter uma história, que pode ser poeticamente bem ou mal escrita. Se calhar, não consegui isso em todas as minhas canções, não é fácil...Picasso não fez só obras de arte.
A seguir....
e aqui chegamos ao 800 Post do blog :D
foto: ana rita Braga



